Após a morte do avô, a avó, que passara toda a vida em silêncio, surpreendentemente começou a falar... Naquela mesma noite, à meia-noite, diante da sepultura dela, desenterrei o segredo que ela guardava... Um segredo sobre uma maldição...
Meu tio contou que, no dia da morte do meu avô, todos os habitantes da aldeia, sem distinção de idade ou sexo, abriram guarda-chuvas de papel vermelho e formaram uma longa fila diante da porta da nossa casa, uma fila que se estendia até fora do vilarejo. Ninguém fazia barulho; todos, sem exceção, desenharam uma linha diagonal, da esquerda superior à direita inferior, na testa, usando estrume de porco diluído em água.
De longe, aquela fila parecia uma serpente escarlate sinuosa, e o mais inacreditável era que essa serpente se estendia até a cidade do condado, a cinco quilômetros dali. Minha tia mais nova, que estava na cidade fazendo compras, desabou em lágrimas ao ver aquela cena. Ela sabia o motivo: o pai havia partido.
No entardecer daquele dia, a família se reuniu em torno do caixão do avô para levá-lo para fora de casa. No instante em que o portão do salão fúnebre se abriu, todos os aldeões que estavam na estrada começaram a passar os guarda-chuvas de papel vermelho para as pessoas atrás de si, um a um, em perfeita ordem. Ao mesmo tempo, todos murmuravam repetidamente a mesma frase. Minha irmã mais velha contou que aquela frase ela jamais esqueceria: “Cabelos ressequidos embebidos de sangue, bocas com olhos, siga tranquilo, siga tranquilo, não olhe para trás...”
Os guarda-chuvas vermelhos foram passados até o topo da colina mais alta fora da aldeia, onde foram todos jogados em um enorme caldeirão de ferro previamente preparado e queimados até virarem cinzas. Quando terminaram de queimar, todos voltaram para casa de costas, e até o nascer do sol do