Encontro na Primavera

Encontro na Primavera

Autor: Inclinando para o Norte

O rapaz, perturbado pelos seus passos, voltou-se ao som dela. Atrás dele havia uma escultura de Buda pintada com cores de uma exuberância extrema, com metade do rosto quebrado, que não lembrava a forma serena e compassiva vista nos budas comuns. Aquele ídolo parecia um asura, e ele, sentado de pernas cruzadas, parecia um fiel profundamente devoto. No instante exato em que LiaoLiao o olhou com atenção, ele também ergueu o olhar para ela. Aquele olhar era ao mesmo tempo reto e cruel, como se atravessasse as ruínas, todo ele de uma sedução selvagem. Ele segurava um rosário de sândalo, rodando suavemente as contas; ao se tocarem umas nas outras, sua voz grave soou num aviso brando: “Pessoas estranhas, não entrem.” Ela se sentiu, num instante, como se tivesse caído no mundo do pó e do desejo, percorrendo toda a vida humana. Seu coração disparou loucamente. Nota: 1. O protagonista aprendeu com um mestre (de escultura budista), foi criado desde pequeno no templo e não é um monge de verdade. 2. Ajuste da frequência de atualização: seis dias de publicação, um dia de descanso (descansando toda segunda-feira).

Encontro na Primavera

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Prólogo

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Encontro na Primavera
Por Bei Qin
Prólogo

No verão em que Liao Liao completou treze anos, sua mãe viajou ao exterior para se apresentar e ela foi enviada para o deserto de Takasa, onde seu pai restaurava afrescos. Naquele ano, ela engoliu mais areia do que vento do noroeste em toda a sua vida.

O sol ardia impiedosamente, queimando a terra. Mal passava da manhã e o coração do deserto já parecia um forno. A areia dourada, espalhada por toda parte, era tão abrasadora quanto cacos de ouro derretido, e mesmo através da sola dos sapatos fazia os pés arderem.

Liao Liao carregava uma pilha de marmitas, correndo o tempo todo como se disputasse uma prova de cem metros, até mergulhar no interior de uma caverna um pouco mais fresca. Cada caverna ali tinha seu próprio número. Ela passou por todas até entrar na de número 167, ao final do corredor.

Dentro, havia andaimes de madeira por todos os lados e o ar era impregnado de cheiro de tinta misturado ao da madeira, tão forte que quase ardia o nariz. Liao Liao tirou o lenço que usava contra o sol e olhou ao redor — a caverna estava vazia.

Liao Zhisheng, que deveria estar esperando pela comida, não estava. Ela pensou em sair para procurá-lo, mas mal deu alguns passos, uma voz baixa e clara a deteve: “Pode deixar a comida aí.”

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Hã? Quem falou?

Liao Liao ergueu a cabeça, seguindo o som.

Sobre um andaime, a cerca de cinco metros do chão, um jovem vestindo uma túnica monástica sentava-se de pernas cruzadas diante de uma estátua de Buda. A

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