“Dai-me um grupo de adoráveis pequenos jogadores, e facilmente subverterei um mundo estranho!” — Assim falou Refnor Murphy Lessembra. Ps: Os títulos possuídos por Sua Excelência Murphy incluem, mas não se limitam a: Vampiro de fachada, Ilustre artista na arte de interpretar NPCs, Planejador canino de virtudes e talentos, Única salvação de Transia, Benfeitor do Velho Continente, Defensor do Novo Mundo, Conde leal, destemido e valoroso, Irremediável admirador de senhoras dominadoras, Santo imaculado dos sanguíneos, Sentinela Alfa da longa noite, entre outros (aqui se ignoram cento e oito outros apelidos). Verdadeiramente, é o mais fiel amigo do Quarto Cataclismo, indispensável em viagens, indispensável para silenciar testemunhas e eliminar rivais. Portanto, peço a todos os testadores de “Realidade Estranha” que, ao lerem estas palavras, se levantem imediatamente! Sigam-me e prestem a mais elevada reverência ao Lorde Murphy! Murphy Kaka! Mansei!
A cidade de Kardeman mantinha hoje a sua habitual serenidade. Embora o espectro da guerra pairasse próximo, os habitantes, já acostumados a quase uma década de conflitos e ao regime de racionamento, permaneciam imperturbáveis. Afinal, o que restava senão resignar-se à estabilidade? Revoltar-se? Os nobres vampiros da cidade pareciam apenas esperar por tal desatino. Aqueles malditos parasitas, que sugavam ossos e medulas no sentido mais literal, lastimavam a falta de carne fresca para enviar ao front. O povo, por sua vez, não se dispunha a lhes dar tal satisfação.
— Olhem, lá vem aquele vampiro pobre pedir esmola de novo!
— Psiu, cuidado com o volume, para não sermos ouvidos! Afinal, ele é um membro legítimo do clã Abutre de Sangue.
— Temor de quê? Ouvi dizer, pela tia do ajudante do cozinheiro que mora ao lado da terceira prima do cunhado do meu vizinho, que esse sujeito e seus ascendentes são conhecidos como “os inúteis do Abutre de Sangue”, à beira de serem expulsos da família. E se nos ouve, o que fará? Nem os próprios vampiros o toleram — por que nós, pobres mortais, deveríamos tratá-lo bem?
— Exato! Um vampiro de verdade vindo disputar esmolas conosco, os plebeus! Nem os criados dos cavaleiros arruinados, fugidos da Prússia Oriental, ousam buscar ração sem cobrir o rosto! E ele ali, destemido, sem vergonha nenhuma!
— Mas, convenhamos, ele é bonito...
— Ora, se não fosse, teria chamado a atenção da “Tris, a mercenária do olhar ávido”? Dizem que esse rapaz já foi um galã que fazia desmaiar multidões... Ih, ele olhou para cá, rápido!<